Lembra-te também do teu
Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os
anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento; Antes
que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as
nuvens depois da chuva; No dia em que tremerem os guardas da
casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem
poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas; E as portas
da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das
aves, e todas as filhas da música se abaterem. Como também
quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho, e florescer a
amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite; porque o homem se
vai à sua casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça; Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e
se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o
deu. Vaidade
de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade. E,
quanto mais sábio foi o pregador, tanto mais ensinou ao povo sabedoria; e
atentando, e esquadrinhando, compôs muitos provérbios. Procurou
o pregador achar palavras agradáveis; e escreveu-as com retidão, palavras de
verdade. As palavras dos sábios são como aguilhões, e como
pregos, bem fixados pelos mestres das assembleias, que nos foram dadas pelo
único Pastor. E, demais disto, filho meu, atenta: não há limite
para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne. De tudo
o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque
isto é o dever de todo o homem.
Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que
está encoberto, quer seja bom, quer seja mau.


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